Notícias

Pós-propósito, um convite urgente para os negócios

Quando se trata de mudanças significativas no comportamento de consumo das pessoas, existem muitas lentes a serem consideradas. Por exemplo, na pandemia, vimos um aumento das compras online no Brasil, que se sustentou em 2022. De acordo com levantamentos recentes, o Brasil lidera o ranking mundial de crescimento do e-commerce, com alta de 22,2%.

Se, por um lado, esses dados nos dizem que praticamente todo mundo passou a fazer compras online, trago outro dado muito simbólico para o Brasil atual, e que questiona esse crescimento.

Um estudo do Instituto Locomotivas e da empresa PwC, também de 2022, identificou que 33,9 milhões de brasileiros não estão conectados à internet e outros 86,6 milhões não conseguem se conectar todos os dias. 

Esses números mostram que, mesmo que nas nossas bolhas todos tenham celulares de ponta e estejam experienciando a chegada do 5G, ainda há muita gente desconectada ou pouco conectada.

Confrontando um dado com o outro, percebemos que parte da população não está dentro desses estudos e estratégias. O Brasil é complexo e muito plural, e as marcas ainda não dão conta de conhecer seus consumidores.

Os dados mostram o quê e onde, mas não dão conta de mostrar os comos e os porquês que movem os comportamentos das pessoas. E esse é o ponto cego sobre o qual queremos nos debruçar. 

Ainda me choco quando sento com diretores e decisores de grandes marcas e eles contam que não conhecem as pessoas para as quais vendem um produto. Como pode alguém vender cerveja sem entender sobre a mudança de paladar do brasileiro? Ou vender produtos para cuidados com a roupa sem entender a sobrecarga doméstica e como aspectos emocionais, culturais e sensoriais impactam na decisão de compra?

Ou ainda, como as características regionais atravessam drasticamente o comportamento em relação a diversas categorias e produtos? Para nós na Eixo, é uma verdade absoluta que marcas devem se tornar especialistas em seus públicos, e não especialistas em suas marcas.

Durante a pandemia fizemos pesquisas para entender a relação das pessoas com máquina de lavar e cuidado com as roupas; consumo de cerveja e uísque; relação dos jovens com pautas identitárias e o que entendem por impacto; sobre o universo dos pequenos negócios periféricos no setor da construção civil; saudabilidade e assim por diante.

Estudamos as transformações dos brasileiros a partir de múltiplas lentes. Uma das coisas mais marcantes, até agora, tem sido o fato de as pessoas estarem desconfiadas e reticentes em relação ao que esperam das marcas.  

Isso foi identificado em todos os recortes sociais e gerações. A pandemia escancarou a desigualdade de uma forma jamais vista no país. O poder de compra diminuiu e lidamos com questões não tão presentes de forma massiva em nosso cotidiano.

As pessoas passaram a questionar mais as marcas que acompanhavam e com as quais se identificavam e a analisar se de fato elas estavam preocupadas com o que era importante para o consumidor e para a sociedade. 

NARRATIVAS INÚTEIS

Pós-propósito é um conceito relativamente recente, que define a necessidade dessa próxima prática das marcas – é sair do storytelling. Ele começou a se ampliar em 2019, quando as pessoas passaram a exigir algo das marcas que antes era item opcional: a verdade!

Em resposta a essa busca, vimos as marcas tentando resolver com comunicação algo que é cultura, valor. Fica claro que elas não estão mudando porque querem, mas sim por ser uma condição de existência para quem consome.

Esse tal pós-propósito chega como uma exigência para que as marcas saiam do discurso e realmente entrem na prática – e não essa tentativa de dizer que seu propósito é levar a felicidade para seus consumidores ou facilitar suas vidas.

Porque, diante desse mundo que derrete cada vez mais rápido – seja pelo aquecimento global, desmatamento da Amazônia, violência contra a mulher, pelo racismo e homofobia escancarados, pelo genocídio dos povos originário (motivos não faltam) –, as narrativas da publicidade não servem mais para nada. Elas não são pensadas para resolver problemas reais, nem problemas da sociedade.

Uma verdade que vimos em nossos estudos, conversando com muita gente em diferentes lugares do Brasil, é que existe um sentimento sólido e latente de que as marcas ajudaram a criar vários dos problemas que temos hoje na sociedade. Esses assuntos estão sendo debatidos constantemente nas redes sociais e no convívio diário dessas pessoas.

O pós-propósito convoca marcas a saírem das narrativas bonitas e irem para a prática, construindo futuros mais plurais, diversos, acessíveis, e que melhorem a vida de mais pessoas. O pós-propósito vem nos dizer que belas narrativas de nada servem se não houver prática e compromisso aliados a elas.

Fonte: FastCompany

COMPARTILHE:

Outras notícias:

Por Renato Albuquerque, economista, advogado e referência em publicidade pública   A regra legal é clara em ano[...]

Cerca de 35 lideranças da publicidade de 16 estados brasileiros participaram, nos dias 26 e 27 de fevereiro,[...]

  A Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro) realizou no dia 25 de fevereiro, o evento que[...]

Com a entrada do novo layout do Sistema Nacional de NFS-e em janeiro, a Fenapro identificou uma falha[...]

O amadurecimento silencioso que está redesenhando a relação entre varejo, indústria e agências no Brasil. Durante muito tempo,[...]

NFS-e – Reconhecimento do problema e encaminhamentos Aos SINAPROS, A FENAPRO informa que realizou, em 22/01/2026, reunião técnica[...]

Agências reportam dificuldades para emitir notas devido a ter sido suprimido o campo relativo aos valores a serem[...]

A Federação Nacional das Agências de Propaganda (Fenapro), em conjunto com os Sinapros estaduais, anunciam hoje, dia 04[...]

A partir de janeiro do ano que vem, Ana Celina Bueno, atual diretora da entidade, assume a presidência[...]

Aconteceu ontem, 22 de dezembro, a primeira edição do Festival Nacional da Propaganda, um evento inédito promovido pelo[...]

Eleições FENAPRO Resultado da Apuração e Abertura do Prazo para Recursos A Federação Nacional das Agências de Propaganda[...]

Eleições FENAPRO Lista de votantes aptos A Federação Nacional das Agências de Propaganda – FENAPRO torna pública a[...]

ELEIÇÕES FENAPRO A Federação Nacional das Agências de Propaganda – FENAPRO, por seu Presidente, Daniel José Queiroz Ferreira,[...]

O SEO está evoluindo: agora é para Inteligência Artificial Ferramentas como o ChatGPT estão reformulando a maneira como[...]

Confiança influencia diretamente o comportamento Quase metade dos consumidores brasileiros já não confia nas marcas. É o que[...]

Meta intensifica aposta em IA e anuncia bilhões para criação de Superinteligência Mark Zuckerberg anunciou um novo e[...]

Edição 2025 do Panorama de Marketing e Vendas, da RD Station, aponta também que 71% das empresas brasileiras[...]

Promovido pelo Ecossistema Sinapro/Fenapro em parceria com o Sinapro-SP, o evento online é gratuito e acontece no próximodia[...]

Solenidade foi realizada em comemoração aos 15 anos da Lei de Licitação de serviços publicitários Dr. Edvaldo Barreto[...]

Novidades no top 5 de 2024 foram as entradas de duas agências; veja a lista completa divulgada pelo[...]

Levantamento do ecossistema Sinapro/Fenapro indica cenário otimista para este ano e, ao mesmo tempo, desafios de gestão para[...]

O Encontro Nacional do Ecossistema Sinapro-Fenapro, realizado em Campo Grande (MS), nas últimas quarta e quinta-feira, contou com a[...]

O ConectaPro chegou! A plataforma por assinatura foi pensada exclusivamente para donos de agências de publicidade e já[...]

Plataforma por assinatura foi pensada exclusivamente para donos de agências de publicidade e será lançada em live com[...]

Descubra os insights da mais recente Pesquisa VanPro, que destaca o crescimento significativo e as perspectivas positivas para[...]

YouTube lidera audiência mesmo em um cenário de mídia digital cada vez mais competitivo e conquistou o título[...]

O mercado de influenciadores digitais no Brasil vem sendo dominado por um grupo promissor: os nano influenciadores. Com[...]

O ritmo acelerado do mundo atual exige que os profissionais de Marketing se adaptem à velocidade 2x para[...]

Brasil em Evidência A AdvertisingHealth e o Clio Health revelam as campanhas mais premiadas no setor de saúde[...]

Hegemonia da TV no Mercado Publicitário A TV, aberta e fechada, ainda lidera a publicidade no Brasil, com[...]

O mercado de out-of-home (OOH) do Brasil encerrou 2023 entre os três principais meios em termos de investimento[...]

Líderes e associativos de diversos estados se reúnem para discutir iniciativas para o fortalecimento das agências de propaganda.[...]